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quinta-feira, 14 de abril de 2016

O Neurônio


Há um podcast sobre esse assunto no fim da página!

Neurônio
Já é claro para nós que a maior parte do que imaginamos como nossa vida mental envolve atividade do sistema nervoso, especialmente o cérebro. Esse sistema nervoso é composto de bilhões de células, as mais essenciais sendo as células nervosas ou neurônios. É estimado que haja cerca de 100 bilhões de neurônios no nosso sistema nervoso!



neurônio da medula espinhal

Um neurônio típico tem todas as partes que qualquer outra célula teria, e algumas estruturas especializadas que os diferenciam. A porção principal da célula é chamada de soma ou corpo celular. Ela contém o núcleo, que por sua vez contém o material genético na forma de cromossomos.

Neurônios tem um grande número de extensões chamadas de dendritos. Eles geralmente se parecem com ramos de espinhos, estendendo-se para fora do corpo celular. É primariamente a superfície dos dendritos que recebem as mensagens químicas dos outros neurônios.

Uma extensão é diferente de todas as outras, e é chamada de axônio. Embora em alguns neurônios seja difícil distinguir estes dos dendritos, em outros ele é facilmente distinguido por seu comprimento. O propósito de um axônio é transmitir um sinal eletro-químico para outros neurônios, as vezes por uma distância considerável. Nos neurônios que formam os nervos que vão da medula espinhal até seus pés, os axônios podem ter até um metro de comprimento!

Axônios mais longos são geralmente cobertos com a bainha de mielina, uma série de células de gordura que se enrolaram em volta de um axônio muitas vezes. Estas fazem o axônio parecer um colar de miçangas em forma de salsicha. Elas servem uma função similar a do isolamento em volta de um fio elétrico.

No final do axônio está o terminal axônico, que é citado com uma variedade de nomes como bouton, botão sináptico, pé do axônio e por aí vai (não sei porque ninguém estabeleceu um termo consistente!). É ali que os sinais eletro-químicos que atravessaram o comprimento do axônio são convertidos em mensagens químicas que viajam para o próximo neurônio.



terminais axônicos

Entre o terminal axônio e o dendrito do próximo neurônio existe uma fenda bem pequena chamada sinapse (ou fenda sináptica, ou fissura sináptica), que vamos discutir já já. Para cada neurônio, existem entre 1,000 e 10,000 sinapses.


 


O Potencial de Ação


Quando as substâncias químicas interagem com a superfície do neurônio, elas mudam o equilíbrio de íons (átomos carregados eletricamente) entre o lado interno e externo da membrana celular. Quando essa carga atinge um nível limiar, esse efeito corre através da membrana celular até o axônio. Quando chega ao axônio, inicia o potencial de ação, que é uma troca rápida e móvel de íons.

A superfície do axônio contém centenas de milhares de minúsculos mecanismos chamados de canais iônicos. Quando a carga entra no axônio, os canais iônicos na base do axônio permitem que íons com carga positiva entrem no axônio, mudando o equilíbrio elétrico entre o lado interno e externo. Isso faz com que o próximo grupo de canais iônicos faça o mesmo, enquanto outros canais devolvem íons positivos para o lado externo, e isso se repete por todo o comprimento do axônio




Neste pequeno diagrama, o vermelho representa íons positivos entrando no axônio, enquanto o laranja representa íons positivos saindo. O potencial de ação atravessa numa velocidade de 2 a 400 quilômetros por hora!
Isso, é claro, é uma versão simplificada, mas suficiente para nossos propósitos. Mas se estiver interessado em um pouco mais de detalhe, clique aqui!

A Sinapse

Quando o potencial de ação atinge o terminal axônico, faz com que minúsculas bolhas de substâncias químicas chamadas vesículas liberem seus conteúdos na fenda sináptica. Essas  substâncias químicas são chamadas de neurotransmissores. Estes velejam pela fenda até o próximo neurônio, onde encontram lugares especiais na membrana celular do neurônio seguinte chamados de portões receptores.



 

O neurotransmissor age como uma pequena chave, e os portões receptores como uma pequena fechadura. Quando eles se encontram, abrem uma passagem para íons, que então mudam o equilíbrio de íons no interior e no exterior do neurônio seguinte. E o processo inteiro começa todo novamente.



Apesar da maior parte dos neurotransmissores serem excitatórios -- i.e. eles excitam o próximo neurônio -- existem também os neurotransmissores inibitórios. Estes fazem com que seja mais difícil para os neurotransmissores excitatórios causarem algum efeito.



Tipos de Neurônios

Apesar de haverem muitos tipos de neurônios, existem três abrangentes categorias baseadas em funções:

1. Neurônios sensoriais são sensíveis a vários estímulos não-neurais. Existem neurônios sensoriais na pele, músculos, articulações, e órgãos que indiquem pressão, temperatura e dor. Existem neurônios mais especializados no nariz e na língua que são sensíveis as formas moleculares que percebemos como gostos e cheiros. Neurônios no ouvido interno são sensíveis a vibrações, e nos provém com informações sobre o som. E os bastonetes e cones da retina são sensíveis a luz, o que nos permite enxergar.

2. Neurônios motores são capazes de estimular células musculares no corpo todo, incluindo músculos do coração, diafragma, intestinos, bexiga e glândulas.

3. Interneurônios são os neurônios que fornecem conexões entre os neurônios sensórios e motores, bem como entre estes. Os neurônios do sistema nervoso central, incluindo o cérebro, são todos interneurônios.

A maior parte dos neurônios são agrupados em "pacote" de um tipo ou outro, as vezes visíveis a olho nu. Um agrupamento de corpos celulares neuronais, por exemplo é chamado de gânglio (plural: gânglios) ou um núcleo (pural: núcleos). Uma fibra feita de muitos axônios é chamada de nervo. No cérebro e na medula espinhal, áreas que são em sua maior parte axônios são chamadas de substância branca, e é possível diferenciar caminhos ou tratos destes axônios. Áreas que incluem um grande número de corpos celulares são chamadas de substância cinza ou massa cinzenta.


Autor: Dr. C. George Boeree

Texto original: http://webspace.ship.edu/cgboer/theneuron.html

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