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domingo, 1 de maio de 2016

Neurotransmissores

Neurotransmissores são as substâncias químicas que permitem a transmissão de sinais de um neurônio para o outro através das sinapses. Eles também são encontrados nos terminais axônicos de neurônios motores, onde eles estimulam as fibras musculares. Eles e seus parentes próximos são produzidos por algumas glândulas como a glândula pituitária e a adrenal. Nesse capítulo, vamos revisar alguns dos neurotransmissores mais importantes.

Acetilcolina
A acetilcolina foi o primeiro neurotransmissor a ser descoberto. Ele foi isolado em 1921 por um biólogo alemão chamado Otto Loewi, que mais tarde receberia o Prêmio Nobel por seu trabalho. Acetilcolina tem muitas funções: Ela é responsável por muito da estimulação dos músculos, incluindo os músculos do sistema gastro-intestinal. É também encontrada nos neurônios sensoriais e no sistema nervoso autônomo, e tem uma participação em programar o sono REM (sonho).

O veneno das plantas curare e cicuta causam paralisia bloqueando os receptores de acetilcolina nas células musculares. O conhecido veneno chamado botulina age prevendo as vesículas de um terminal axônico de liberar acetilcolina, causando paralisia. O botóx, derivado da botulina, é usado por muitas pessoas para temporariamente eliminar rugas - um comentário triste sobre nossa época, eu diria. Falando mais seriamente, há uma relação entre a acetilcolina e a doença de Alzheimer: Existe uma perda de cerca de 90% da acetilcolina no cérebro de pessoas que sofrem de Alzheimer, que é a maior causa da senilidade.

Norepinefrina
Em 1946, um biólogo sueco chamado Ulf von Euler descobriu a norepinefrina (a princípio chamada de noradrenalina). Ele também ganhou o Prêmio Nobel. Norepinefrina é fortemente associada com levar nosso sistema nervoso à "alerta máximo". É prevalente no sistema nervoso simpático, e aumenta nossa frequência cardíaca e pressão sanguínea. Nossas glândulas adrenais a liberam na corrente sanguínea, junto com seu parente, a epinefrina (também conhecida como adrenalina). É além disso importante para formar memórias. Estresse tende a diminuir nosso estoque de adrenalina, enquanto exercício tende a aumentar. Anfetaminas (drogas que aumentam a atividade no sistema nervoso central) trabalham causando a liberação de norepinefrina, bem como outros neurotransmissores chamados dopamina e serotonina. 

Dopamina
Outro parente da norepinefrina e da epinefrina é a dopamina, descoberta como neurotransmissor nos anos 50 por outro sueco, Arvid Carlsson. É um transmissor inibitório, o que significa que quando chega aos receptores, bloqueia a tendência daquele neurônio ser ativado. Dopamina é fortemente associada com os mecanismo de recompensa no cérebro. Drogas como cocaína, ópio, heroína e álcool aumentam os níveis de dopamina, assim como a nicotina. Se é prazeroso, dopamina está provavelmente envolvida!

Tem sido demonstrado que a esquizofrenia, doença mental severa, envolve quantidades  excessivas de dopamina nos lobos frontais, e drogas que bloqueiam dopamina são usadas para ajudar esquizofrênicos. Por outro lado, falta de dopamina nas áreas motoras do cérebro é responsável  pela doença de Parkinson, que envolve tremores musculares incontroláveis. Foi o mesmo Arvid Carlsson mencionado acima que descobriu que o percussor da dopamina (chamado L-dopa) podia aliviar alguns dos sintomas do Parkinson. Ele foi premiado com o Prêmio Nobel no ano 2000.

Recentemente, tem sido percebido que baixa quantidade de dopamina talvez seja relacionado não somente a insociabilidade dos esquizofrênicos, como também com ansiedade social. Por outro lado, tem sido percebido que dopamina tem pouco a ver com os prazeres de comer. Este parece envolver substâncias como a endorfina (ver abaixo).

GABA
Em 1950, Eugene Roberts e J.Awapara descobriram o GABA (ácido gama-aminobutírico), que é usualmente também um neurotransmissor inibitório. GABA age como um breque para os neurotransmissores excitatórios que levam à ansiedade. Pessoas com muito pouco GABA tendem a sofrer de transtornos de ansiedade, e drogas como Valium funcionam aumentando os efeitos do GABA. Muitos outras drogas influenciam os receptores GABA, incluindo álcool e barbitúricos. Se há falta de GABA em certas partes do cérebro, o resultado é epilepsia.

Glutamato
Glutamato é o parente excitatório do GABA. É o neurotransmissor mais comum no sistema nervoso central - em cerca de metade de todos os neurônios do cérebro -  e é especialmente importante no que se refere a memória. 

Curiosamente, glutamato é na verdade tóxico aos neurônios, e o excesso os mata. Às vezes lesão cerebral ou AVC pode levar ao excesso de glutamato e acabar com muito mais mortes celulares do que trauma original. ALS, mais comumente conhecida como doença de Lou Gehrig, é resultado de uma produção excessiva de glutamato. Muitos acreditam que ele pode também ser responsável por uma grande variedade de doenças do sistema nervoso, e estão procurando por maneiras de minimizar seus efeitos.

Glutamato foi descoberto por Kikunae Ikeda da Universidade Imperial de Tokay, em 1907, enquanto procurava pelo sabor comum a coisas como queijo, carne e cogumelos. Ele foi capaz de extrair um ácido da alga marinha - o glutamato. Ele então inventou o conhecid tempero MSG - Monossódico glutamato. Levou décadas para Peter Usherwood identificar o glutamato como um neurotransmissor (em gafanhotos) em 1994.

Serotonina
Serotonina é um neurotransmissor inibitório que foi descoberto ser intimamente envolvido com emoção e humor. Tem sido demonstrado que falta de serotonina leva a depressão, problemas com controle de raiva, transtorno obsessivo-compulsivo, e suicídio. A falta de serotonina também leva a um aumento de apetite por carboidratos (alimentos ricos em amido) e problemas ao dormir, que são também associados com depressão e outros transtornos emocionais. Serotonina também foi relacionada com enxaquecas, síndrome do intestino irritável e fibromialgia.

Vittorio Erspamer descobriu o que hoje chamamos de serotonina nos anos 30. Foi encontrado no soro sanguíneo em 1948 por Ivine Page, que o nomeou serotonina (de "soro-tônico"). Outro pesquisador no laboratório de Page - Maurice Rapport - provou que era uma amina (um grupo de substâncias químicas que inclui os neurotransmissores). John Welsh descobriu que era um neurotransmissor em moluscos em 1954, e Betty Twarog (também do laboratório de Page) o descobriu em vertebrados em 1952. Tudo isso lhe dá uma noção da natureza cooperativa da maioria das descobertas científicas!

Prozac e outras drogas recentes ajudaram pessoas com depressão ao prevenir que neurônios "suguem" o excesso de serotonina, para que haja mais serotonina flutuando nas sinapses. É interessante que um pouco de leite aquecido antes de dormir também aumenta os níveis de serotonina. Como sua mãe deve ter-lhe dito, ajuda a dormir. Serotonina é derivado do triptofano, que é encontrado no leite. A parte do "aquecido" é apenas para o conforto!

Por outro lado, serotonina também tem um papel na percepção. Alucinógenos como LSD, mescalina, psilocibina, e o êxtase trabalham se anexado nos receptores de serotonina para assim bloquear transmissões nos caminhos perceptuais.

Endorfina
Em 1973, Solomon Snyder e Candace Pert da Universidade de Medicina John Hopkins descobriram a endorfina. Endorfina é o diminutivo de "morfina endógena". É estruturalmente muito similar aos opióides (ópio, morfina, heroína, etc.) e tem funções similares: Inibitória, é envolvida na redução de dor e prazer, e as drogas opióides trabalham se anexando em receptores de endorfina. É também o neurotransmissor que permite que ursos e outros animais hibernem. Considere: Heroína diminui a frequência cardíaca, respiração e metabolismo no geral - exatamente o que você precisa para hibernar. É claro, às vezes a heroína diminui tudo até parar: Hibernação permanente.


Autor: Dr. C. George Boeree

Texto original: http://webspace.ship.edu/cgboer/genpsyneurotransmitters.html

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