O Lobo Frontal
Partindo do sulco central adiante, primeiro nós temos o córtex motor, que envia sinais em direção ao resto do corpo para controlar músculos esqueléticos.
Na frente do córtex motor está o córtex pré-motor, que é onde compomos e ensaiamos movimentos antes de fazê-los. A área de Broca, que produz a fala, é parte do córtex pré-motor.
E então temos o córtex pré-frontal, onde algumas das coisas mais interessantes ocorrem. Alguns dizem que a força de vontade, nossa sensação de realidade e a sensação de personalidade própria residem ali.
Algumas áreas do córtex pré-frontal são ao menos parcialmente compreendidas. A área dorsolateral (acima e para os lados) parece nos permitir segurar ideias na consciência, focar nelas e até as manipular.
A área ventromedial (abaixo e próxima a linha do meio) parece estar envolvida na experiência emocional e nos dá a sensação de que as coisas fazem sentido e tem significado. Atividade baixa aqui é associada com depressão: Nada faz sentido nenhum. Atividade alta, por outro lado, é associada com manias: Cada pequeno detalhe é cheio de importância!
A área orbital do córtex pré-frontal (acima dos olhos) nos diz quando alguma coisa está errada e requer atenção séria. Também tem a habilidade de inibir comportamentos que são inapropriados, como aqueles que podem ser prejudiciais para nós ou são socialmente inaceitáveis. Isso inclui a habilidade de contrariar os sinais para agressão que vem dá amígdala no sistema límbico. Acredita-se que muitos criminosos violentos tem danos nessa área do cérebro.
Na parte mais frontal do córtex pré-frontal existe uma área devota a interpretar as intenções das pessoas e seus motivos. Autistas parecem ter algum tipo de defeito nesse local.
O Lobo Temporal
Esse lobo fica nos dois lados da cabeça, abaixo das têmporas. A parte superior do lobo temporal, junto da fissura Sylviana que a separa do lobo frontal, é o córtex auditivo primário, que recebe informações da cóclea. As áreas em volta são devotadas a interpretar sons, e uma dessas em particular (área de Wernicke, próxima a fronteira com o lobo parietal no hemisfério esquerdo) é conhecida por ser dedicada a compreender linguagem.
Uma outra área é chamada de giro fusiforme, que fica nas partes inferiores do lobo temporal próximo ao lobo occipital. No hemisfério esquerdo, é responsável pelo reconhecimento de números e palavras. No hemisfério direito, é responsável pela habilidade crucial dos humanos de reconhecer faces. Problemas aqui causam uma desordem chamada prosopagnosia ("cegueira facial"), o que torna a vida social muito difícil.
Existem areas mediais (internas) do lobo temporal que são intimamente conectadas ao hipocampo e parecem ter função nas memórias de eventos da vida (memória episódica).
Uma função muito estranha do lobo temporal é o que alguns tem chamado de módulo de Deus. Estimulação aqui dá as intensos sentimentos de felicidade e sensação de estar próximo de algum poder maior ou de ser "um com o universo". Alguns pacientes epilépticos tem estes sentimentos intensos logo antes de convulsões, e acredita-se que alguns dos santos famosos e outras figuras religiosas possam ter igualmente sofrido (se é que dá pra chamar assim!) de tais desordens.
O Lobo Parietal
A parte mais frontal do lobo parietal, junto do giro central mais próximo do lobo frontal, está a área somatossensorial, que coleta sinais vindos do corpo para o cérebro. Bem atrás desta está a área associativa somatossensorial, que analisa mais profundamente estas sensações corporais. Áreas específicas se especializam em nos localizar e orientar no espaço tridimensional, e a focar em coisas do mundo externo.
O Lobo Occipital
O lobo occipital é o menor dos lobos e fica na traseira da cabeça. Não tem fronteiras bem definidas e é diferenciado primariamente por sua função, i.e. a visão. As várias partes do lobo occipital são rotuladas com um V (para visual) seguido de um número.
O córtex visual primário na parte mais traseiro do lobo occipital é rotulado de V1, e recebe informações do trato óptico. Ele tem um mapa claro da informação visual que corresponde as áreas da retina. O centro da visão é altamente ampliado. Os neurônios individuais do V1 são extremamente sensíveis a mudanças muito particulares nas informações que chegam aos olhos.
Se houver uma lesão em algum lugar do V1, haverá um "buraco" na sua visão chamado escotoma. Estranhamente, algumas das informações desse "buraco" ainda parecem estar disponíveis, então pessoas com escotomas ainda conseguem reagir a estímulos mesmo que eles conscientemente não o percebam! Isso é chamado de blindsight.
O V2 fica em volta do V1 e tem muitas conexões recíprocas com ele. Muito de suas funções são repetições do V1, mas ele detecta características mais complexas, como os contornos e distinções entre figura e fundo.
O V3, bem acima do V2, recebe informações de ambos V1 e V2. Parece se especializar em profundidade, distância e movimento global.
O V4 fica abaixo do V2. V4 é afetado por processos de atenção, e se especializa na percepção mais complexa de objetos específicos.
O V5 (também conhecido como MT) é mais adiante no lobo occipital, e processa movimentação complexa.
Parecem haver dois caminhos especialmente importantes para o processamento de informação visual no lobo occipital. Existe o caminho "onde?" do V1 para o V2 para o V3 e V5, que interpreta a localização e movimento no espaço. E tem o caminho "o quê?" do V1 para o V2 para o V4 que determina a identidade de um objeto. Existem áreas adicionais das quais as funções ainda não se conhece.
O Giro Cingular
O giro cingular fica abaixo do resto do córtex cerebral, contra o corpo caloso e parcialmente cobrindo áreas inferiores como os gânglios basais, o sistema límbico, e o tálamo. Muitas pessoas o vêem como o quinto lobo - outros o vêem como parte dos lobos acima dele, particularmente o lobo frontal. Ele é tão intimamente conectado com o sistema límbico que às vezes é chamado de giro límbico. Uma de suas mais importantes funções é manter sua atenção focada. Quando não está funcionando adequadamente, como parece acontecer na esquizofrenia, você é incapaz de distinguir vozes reais das imaginarias.
Autor: Dr. C. George Boeree
Texto original: http://webspace.ship.edu/cgboer/lobes.html
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