Um dos métodos qualitativos que já é usado a muito tempo é o estudo de caso. Quando médicos como Sigmund Freud ficaram interessados em problemas psicológicos, eles continuaram com sua tradição de escrever e publicar descrições dos seus pacientes mais interessantes, os tratamentos que tentaram usar, e a progressão da desordem. Muito do conteúdo da psicologia anormal, por exemplo, é construído com esses estudos de caso.
Outro exemplo é a méthode clinique ou o método clínico. Esse método foi particularmente bem usado por Jean Piaget e seus seguidores. A ideia básica é apresentar a uma pessoa pessoa (no caso de Piaget, normalmente uma criança jovem) uma situação ou problema para eles resolverem. O pesquisador observa como eles lidam com a situação e fazem perguntas para tentar entender o processo de pensamento que usaram. Outra versão deste méthode clinique é chamado de fenomenologia experimental. Um estudo, por exemplo, pediu que jogadores mestres e novatos em xadrez pensassem em voz alta enquanto jogavam xadrez, para que pudessem analisar as diferenças na abordagem. Um outro exemplo é o método de introspecção usado por Wilhelm Wundt -- comumente considerado o fundador da psicologia científica -- e seus alunos. Pesquisadores prestam cuidadosa atenção em suas próprias percepções de eventos simples como cores, e percebem mudanças em suas percepções seguindo mudanças nos eventos.
O método qualitativo mais antigo é provavelmente a observação naturalista. Esta tem sido usada por biólogos que estudam animais na natureza (etólogos) por séculos, e por sociólogos estudando o comportamento de pessoas por quantidade quase igual de tempo. A ideia da observação naturalista é afastar-se da situação e fazer todo e qualquer esforço para não interferir. Um biólogo estudando pássaros, por exemplo, pode construir uma tocaia -- uma pequena cabana coberto com materiais naturais -- para não perturbar os pássaros. Psicólogos infantis frequentemente observam crianças de maneira similar. Em escolas experimentais, as crianças são tão acostumadas a serem frequentemente observados que os pesquisadores nem precisam se esconder! Recentemente, tecnologia de áudio e vídeo tem nos permitido fazer o mesmo com pessoas. Infelizmente, a ética de espiar as pessoas é muito questionável!
Uma variação da observação naturalista usada por alguns sociólogos e psicólogos é chamada de observação do participante. Um sociólogo que está interessado em estudar o estilo de vida de pessoas em alguma subcultura (digamos, uma gangue de motociclistas) pode de fato juntar-se a dita subcultura e interagir com as pessoas. Muitos antropólogos também usam essa técnica. Na maioria dos casos, está claro para todos que o pesquisador não é de fato parte do grupo, mas às vezes o pesquisador esconde sua identidade de pesquisador.
Uma das técnicas qualitativas mais úteis é a entrevista. É frequentemente parte do método de procedimento. Contrário ao que muitas pessoas acreditam, entrevistar não é fácil. Na verdade, é rara uma pessoa que é realmente habilidosa em entrevistar. Você precisa ser muito cuidadoso para não ouvir a pessoa que você entrevista de uma maneira enviesada. Você tem que ter certeza que não está levando a pessoa em nenhuma direção que você gostaria que elas fossem. Você tem que ter certeza que não está interpretando errado o que a pessoa diz. Em outras palavras, você precisa estar muito ciente de seus próprios vieses!
Muitos pesquisadores usando métodos qualitativos aderem a escola de pensamento chamada fenomenologia, e referem-se a seus métodos como métodos fenomenológicos. Fenomenologia é o estudo dos conteúdos da consciência -- fenômenos -- e métodos fenomenológicos são maneiras de descrever e analisar estes conteúdos. Originalmente, os métodos focavam em descrever os pensamento, sentimentos e percepções próprias. Por exemplo, pesquisadores investigavam suas próprias experiências de uma emoção como a raiva, ou os processos cognitivos como tomar uma decisão. Como você pode imaginar, os problemas de vieses são ainda mais difíceis de lidar nesses tipos de estudo. Muitas pessoas, se perguntadas sobre suas experiências de raiva, talvez digam algo como "Eu podia sentir a adrenalina fluir em minhas veias!" Infelizmente, essa é uma declaração prejudicada baseada no conhecimento comum das pessoas sobre a presença da adrenalina. De fato, ninguém consegue realmente sentir a adrenalina em seu sangue! Talvez sintamos tensão muscular, ou o cabelo subindo em nossas nucas, ou uma mudança na nossa audição -- mas não a adrenalina em nosso sangue.
Conforme o tempo prossegue, outras maneiras de investigar fenômenos foram adicionadas. Por exemplo, pesquisadores talvez peçam para outras pessoas escreverem o que é chamado de protocolos -- descrições inocentes de suas experiências -- e usa-las para análise. Isso é feito, por exemplo, quando o pesquisador quer investigar alguma coisa que ele não tem experiência pessoal, como as alucinações verbais de um esquizofrênico.
Tem argumentos contra e a favor do uso de métodos qualitativos. A crítica mais comum aos métodos qualitativos ficam em volta do viés mencionado acima: É muito mais fácil para vieses influenciarem estudos qualitativos do que os quantitativos. A grande vantagem das medidas é que, uma vez que é assentado o que constitui uma medida (digamos, uma trena), todos podem usa-la e estar confiante de que o que mediram é o que qualquer outra pessoa mediria. Se, por outro lado, nós dizemos "isso parece azul marinho para mim", alguém pode dizer "não, acho que é roxo" e outra pessoa "não, é claramente azul royal!"
Os argumentos para métodos qualitativos falam sobre realismo. Medidas não demonstram o total de um evento. Você pode pedir para as pessoas medirem sua própria ansiedade, mas quanto eles vão falar sobre o que estão realmente sentindo? Como você mede algo como amor ou ódio? Ou pense sobre o antropólogo olhando uma cultura: Contar o número de artefatos ou cronometrar os rituais dizem muito sobre o significado para as pessoas envolvidas? Ou considere a personalidade de uma pessoa: A pontuação em um teste de personalidade diz muito sobre as experiências de vida de uma pessoa? Pesquisadores qualitativos diriam que não muito!
Apesar de métodos quantitativos ainda serem preferidos em psicologia, mais e mais pessoas estão percebendo que métodos qualitativos também tem participação importante. Nem tudo sobre os humanos pode ser compreendido por medidas, ou em laboratórios, ou usando ratos e pombos.
Autor: Dr. C. George Boeree
Texto original: http://webspace.ship.edu/cgboer/genpsyqualmeth.html
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